a gaivota sobrevoa o pinho derrubado pelo vento
a resina escorre pelas gretas secas
o tronco antigo expõe sua recente ferida, no meio da calçada
uma mulher está parada diante, tocando com os dedos da mão direita, alguns deles, alguma coisa
um carro passa
vidro do passageiro aberto, alguém viu. E observou
o carro parou, desci
na sacola de plástico - um céntimo custou ela - tilintou uma garrafa, de vinho jovem - um euro e pouco cada garrafa -
quanto mais velho, mais caro
um galho quebrado de pinho, pelo vento, atrapalhava meu caminho, dependurado de outro galho são da árvore, no meio do caminho aéreo, pela calçada
uma lança arrogante apontava sua perpendicularidade ao meu olho direito
a esquina daquela construção observa imóvel a cena, uma linha rígida, apesar de difusa
olhava perpendicularmente a última imagem que veria
o olho direito em riste
pelo menos a resina do pinho é desinfetante
um tilintar, um romper, tic, tac
com esse olho direito a vi
do outro lado da rua uma mulher viu. E parou a observar
a palma da mão direita, perpendicular, sustinha levantado um dedo sujo de resina
o carro era branco
como a sacola antes do vinho derramar-se dentro dela e fora, sobre a calçada gretada pelas raízes paralelas e, agora, ébrias do frondoso pinho
uma folha de carvalho enferrujada pelo outono cortou a cena obliquamente, lentamente, descrevendo uma hipotenusa curiosa entre o alto daquela esquina da costrução e o ponto onde o tronco entra na terra
repousou a meu lado, sobre um caco de vidro verde manchado de vinho tinto
(sant josep de sa talaia, 19 de novembro de 2009)
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